Meirelles é xingado na Quinta Avenida, em NY

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi hostilizado por um grupo de brasileiros em Nova York ao deixar o hotel The Pierre, num dos endereços mais caros da cidade, a Fifith Avenue, onde se reuniu com investidores estrangeiros em evento promovido pelo jornal inglês Financial Times. O ministro foi xingado de “canalha” , “traidor”, “safado” e “golpista” pelos manifestantes e ouviu frases como “o Brasil não está à venda”, numa referência ao decreto presidencial que extinguiu a Renca (Reserva Nacional de Cobre e seus Associados) no Amapá e que acabou suspenso depois de forte repercussão negativa.

Meirelles, acompanhado de assessores, caminhou por cerca de 100 metros até conseguir entrar num táxi na East 60Th Street, sob protestos e xingamentos. Os manifestantes também portavam cartazes com frases como “Xô,Vampirão”.

Henrique Meirelles não é o primeiro político brasileiro a sentir de perto a ira popular. A lista é grande e não tem cor partidária. O ex-presidente da Câmara, o deputado presidiário Eduardo Cunha, em duas ocasiões, pelo menos, foi hostilizado no exercício do mandato. Uma vez, no aeroporto no Rio e em outra ocasião dentro do avião. O, então deputado, arrumava a bagagem quando foi interpelado por uma passageira.

“Senhor Eduardo Cunha, muito obrigado por roubar o Brasil, viu? Está todo mundo aqui muito grato pelo que o senhor fez”, afirmou a senhora arrancando aplausos dos demais passageiros.

O deputado Paulinho da Força também foi hostilizado durante um voo. O deputado foi chamado de “Paulinho da Farsa” e ouviu dos passageiro um coro de “golpista”. O senador José Aníbal, também foi surpreendido no aeroporto. “Aníbal, Aníbal, golpista. Traidor do Brasil. O nome tá anotado.” O senador reagiu irritado com o protesto e partiu pra cima do manifestante mas acabou contido pela mulher. Aníbal, em outra ocasião, foi chamado de “abutre” e “vagabundo”.

O deputado Werverton Rocha, quase foi as vias de fato ao ser agarrado por um manifestante que portava um tomate. Um segurança do aeroporto precisou intervir. Carlos Marun e Romero Jucá também já foram hostilizados nas ruas. A senadora do PT, Gleise Hofman, foi chamada de “corrupta” e “sem vergonha” ao desembarcar no aeroporto do Paraná. A senadora que também foi chamada de “bolivariana”, ouviu frases como “a roubalheria do PT tá acabando.”

Bernardo Ariston, deputado por dois mandatos, nunca enfrentou hostilidades de populares nas ruas mas, lembra, foi vítima, em outubro de 2013, ao apoiar uma manifestação de profissionais da educação, na esquina das Avenidas Rio Branco com Almirante Barroso, no Rio, de uma bomba de gás lacrimogêneo lançada pela polícia. Ariston sofreu queimaduras e quebrou o pé em três lugares. O ex-deputado, na ocasião, ainda foi alvo de inquérito policial por ter chamado de vergonhosa a prática da “polícia corrupta de Cabral” de agredir os professores.

Bernardo Ariston diz que as hostilidades contra a classe política mostram que o momento exige uma drástica renovação. O ex-deputado diz que a corrupção e a farra com o dinheiro público são práticas vergonhosas e inaceitáveis mas, lembra, a sociedade está atenta, fiscalizando a aplicação dos recursos públicos.

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